Sexta-feira, 07.11.08
Depois de meses de intensa negociação, o Sapo acaba de apresentar uma proposta milionária (da qual apenas ouvirão falar e nunca verão nada) para nos associarmos ao directório. Como fui Pai há pouco tempo, tive de pensar no futuro e por isso aceitei.

A partir de hoje, o nome mantém-se, mas muda de morada. Já estão todos convidados, por isso, é aparecer e opinar. 


hojenaohabolinhos às 15:35 | link do post | comentar | ver comentários (1)




hojenaohabolinhos às 06:24 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 05.11.08
Estava no topo de uma montanha verde, entre o céu e o mar, pronta a atirar-me sem medo para o azul. Sentia-me livre para iniciar o voo naquela imensa tela azul. Simplesmente voar sem limites espaciais nem temporais. Empreender uma viagem que começava ali mas não sei onde nem quando terminava. Subitamente acordei. O meu sonho, o mais belo, o mais perfeito foi abruptamente interrompido por vozes que insistentemente repetiam: não sabes voar. Ao ritmo destas vozes a ecoar na minha cabeça, o meu sonho fugia-me como a água escapa por entre os dedos de uma mão. A minha primeira reacção foi ir atrás dele. Correr atrás do sonho, na esperança de poder retomar o sonho exactamente no ponto onde havia parado, no sopé da montanha verde pronta a mergulhar no azul, entre o mar e o céu, mas não consegui. Sentia-me vulnerável, impotente por não ser capaz de alcançar o sonho. Na noite a seguir voltei a tentar mas também não consegui repetir o sonho. Nas noites seguintes apesar da minha insistência, acontecia-me sempre o mesmo: o sonho escapava-me. Acabou por se tornar uma obsessão, agarrar aquele sonho para poder sonhá-lo até ao fim. No entanto, era inútil. Não sei explicar porquê mas aquele sonho, o mais belo, o mais perfeito, já não estava ao meu alcance. Inacessível. Inatingível. Foi então que desisti de tentar. Abdiquei do sonho. Decidi parar de sonhar. Uma vez que não podia sonhar o sonho mais belo, mais perfeito, mais poético, então não valia a pena sonhar. Prometi a mim mesma que a partir daquele dia não voltaria a sonhar. Estava decidida a cumprir a minha promessa. A combater com todas as minhas forças toda e qualquer ameaça de sonho. Rodeei-me de um exército de vozes que me protegerem dos sonhos. Cumpri tão escrupulosamente a minha promessa que estou convencida que mesmo que tentasse, já não saberia sonhar. Essa perspectiva de imunidade total ao sonho assustou-me. Fez-me perceber que sem sonhos, a minha vida já não faz sentido. Sonhar faz-me falta. Sinto-me incompleta sem a minha capacidade para acreditar. Quero sonhar outra vez. Quero acreditar que é possível voar. Foi então que o céu se encheu de lua. As vozes subitamente calaram-se e deram espaço ao silêncio. E naturalmente recomecei a sonhar. Confiante, atirei-me do topo da montanha verde para a enorme tela azul, entre o céu e o mar, e comecei a voar. O meu sonho, o mais belo, o mais perfeito, o mais poético estava agora ao meu alcance.


hojenaohabolinhos às 16:48 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Casino Royal passa na rtp memória, num excelente momento.
Nesta cena, Herman disserta com Cachucho (Zé Pedro Gomes, que está vestido de sevilhana e lábios esborratados de rouge) sobre as amarguras que padece uma teeager quando se vê sem o seu 'Cartão Jovem'...
p.s. para registo histórico neste blog.


hojenaohabolinhos às 14:50 | link do post | comentar

Segunda-feira, 03.11.08
Apesar de não estar a gostar muito deste livro, o mesmo tem algumas frases magníficas com as quais me identifico e que gosto de sublinhar, para mais tarde ao folheá-lo recordar o que mais me gritou ao lê-lo.

"(...) pensando de como aparentemente a ingenuidade era dada ao Homem para que ele, em tempos de crise, pudesse rodear-se de contornos e sons com que pudesse proteger-se da verdade."

A Luz em Agosto
William Faulkner

A ingenuidade é aos olhos de alguns sintoma de paragem cerebral ou de fragilidade. Esquecem-se que pode ser uma forte aliada no combate à maldade alheia. Não nos pode fazer (assim tão) mal aquilo que não "vemos". E às vezes não interessa ver tudo. Basta ver o que é verdadeiramente essencial.

(Tenho muito de S.R.)

(Alguém que me dê um livro de aforismos para comentar que eu ando a ser subaproveitada)

(Obrigada)


hojenaohabolinhos às 04:22 | link do post | comentar

Sexta-feira, 31.10.08
Um casal de jovens chega ao consultório de um médico terapeuta sexual.

O médico pergunta: O que posso fazer por vocês?
O rapaz responde: Poderia ver-nos a fazer sexo?

O médico olha espantado, mas concorda.
Quando termina, o médico diz: Não há nada de mal na maneira como fazem
sexo.
E cobra 70,00 euros pela consulta, o que se repete por várias
semanas. O casal marca um horário, faz sexo sem nenhum problema, paga ao médico
e deixa o consultório.

Finalmente o médico resolve perguntar: Afinal, o que estão a tentar descobrir?
E o rapaz responde: Nada. O problema é que ela é casada e não posso ir
a casa dela. Também sou casado e ela não pode ir a minha casa. No
Hotel Tivoli, um quarto custa 120,00 euros, no Holliday Inn custa
100,00 euros... e aqui fazemos sexo por 70,00 euros, temos acompanhamento
médico, é passado um atestado, sou reembolsado em 42,00 euros pela
Médis e ainda consigo uma restituição do IRS de 19,25 euros.


hojenaohabolinhos às 10:28 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 30.10.08
O silêncio ensurdece a boca
do vazio que beija o olhar
que fala do tempo da dor
que esconde o rosto das mãos
que choram o nada.

Mónica


hojenaohabolinhos às 15:37 | link do post | comentar

O ALA é aquele avô ranzinza a quem perdôo tudo o que diz. Não por ser demasiado permissiva (ou mesmo submissa diante do génio) mas porque se assim não fosse, não seria o “meu avô” ALA. É um homem tímido (parece-me), receoso do contacto com “os outros”, facto que disfarça com caretas e trejeitos, com tiques que se assemelham ao à vontade que se tem apenas entre amigos. Talvez a familiaridade fosse dirigida apenas ao CVM. Deu-me uma imensa vontade de rir a cara compenetrada do CVM pensando possivelmente “Só espero que isto corra bem” (pareceu-me vislumbrar algum nervosismo. É natural. O meu avô ALA não é fácil). Inúmeras vezes ao longo da noite o sobrolho soerguido que a mim gritava “Quê pá?” mas pretendia ser um “Oh claro que sim. Estou mesmo a ver/sentir tudo o que diz. Não, não estou perdido no emaranhado de palavras que lhe sai da boca”. E ao meu avô ranzinza não se pode dizer o mesmo que se diz aos restantes, a nós comuns mortais. O que é para nós, não é para ele. E um atrapalhado (Pareceu-me. Ou seria encantado?) CVM dizia “desamigos” para não proferir “inimigos”, dizia “vozes” em vez de personagens, “livro” jamais (!) romance, porque para o meu avô ALA nada pode ser o que é. É sempre tudo “OUTRA COISA”. A literatura? É “OUTRA COISA”. Não isto que andamos a ler. Os lixos que hoje se publicam. Aspirantes a “escritores” (Que jamais o serão: “uma coisa é escrever livros outra coisa, lá está, é ser escritor.) enviam-lhe os seus manuscritos (doce ingenuidade de que já fui também acometida) na esperança de uma mão amiga. Mas ele desdenha. São na maioria muito maus. “Uma merda”. Oh avô não fale assim das pessoas que lhes fere os sentimentos. Pensa ele, que todas essas pessoas querem apenas ser FAMOSAS. Pensa ele que poucos nasceram com essa premência, com essa maneira de SER. Apenas dois, máximo três no nosso país se podem dizer escritores. Apenas dois, máximo três pertencem a essa casta superior. Avô: a literatura, essa “outra coisa” de que tanto falas, não estou certa de saber o que é. Não te levo a mal que ostensivamente mo mostres, me dês conta de forma quase cruel da minha ignorância. Não te levo a mal porque vá-se lá saber porquê adoro essa tua maneira de ser. Fazes-me rir no meio de toda essa sobranceria que não posso garantir seres tu mesmo, ou uma máscara que colocas para os “outros” que te deixam desconfortável. O meu avô ALA é tudo menos linear. Não fossem as crónicas da Visão, que anseio todas as semanas ler e às quais ele chama com algum desprezo “piscinas para crianças” (por terem sempre pé) e talvez eu tivesse de admitir que ler ALA (nota: só li o “Ontem não te vi em Babilónia”) não é para mim. Sou uma pessoa simples que talvez nunca alcance as tuas “vozes” avô. Uma senhora ontem teve coragem para dizer por outras palavras que não percebera patavina dos teus livros. Perguntou-te o que dirias tu a um leitor “hipotético” que se munira de lápis e bloco de notas ao mesmo tempo que lia um teu livro para poder “perseguir” as vozes (leia-se personagens) e perceber para onde iam, de onde vinham, como reapareciam no labirinto (leia-se livro, jamais romance). Olhaste para ela incrédulo. “Labirinto? É tudo tão óbvio, tão claro, se se deixarem guiar pelos sentidos, o livro fala-vos, explica-vos tudo.” Oh avô lamento, sempre pensei ser uma pessoa intuitiva, que lia com o coração e afinal não sou, porque ao ler-te baralhei-me e fiquei assim até hoje. Gostava muito de te saber ler. Encantas-me quando num minuto dizes que te “estás nas tintas” para os leitores e no seguinte dizes coisas como “entrar no coração do coração”, “escrever sentimentos/emoções, estar no meio das vidas, ser as pessoas” ao invés de debitar simplesmente histórias. Esse binómio arrogância/sensibilidade...Essa tua peculiar maneira de ser no fundo (simplesmente) humano como nós, “os outros”. Acho-te piada que vives sem as coisas que para os outros são essenciais: cartão MB, telemóvel, computador. Para ti supérfluas. Sei bem porquê, precisas só do papel em branco, da caneta (bico grosso?) e do teu pensamento com vida própria. Só isso te basta. És uma pessoa encantadora nesse teu modo rude de ser. Só mais uma coisa, lembras-te avô da história que ontem contaste? De como te sentiste afrontado quando ao entrar maltrapilho num stand e enquanto olhavas para um Volvo Coupe que te encantou (a ti que nem ligas a carros) o vendedor te ter dito (ao cometer o erro crasso de não te reconhecer): “Isto não é para si”. Lembras-te que o compraste porque ele te disse que não podias? O mesmo se passa com a escrita. Ainda que me digas, de forma devastadora, olhando-me nos olhos com o teu azul profundo que “ela” jamais será para mim eu digo-te avô que É. E sim, será. Enquanto houver em mim um coração a pulsar, não desistirei de escrever.

Um grande beijinho avô.

Andreia Azevedo Moreira.

P.S. Isto a propósito da conversa com o António Lobo Antunes no "CAFÉ COM LETRAS" ontem na Biblioteca de Oeiras. Entrevista com Carlos Vaz Marques.

Arquivado em: , ,

hojenaohabolinhos às 03:55 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 29.10.08





hojenaohabolinhos às 20:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)



um pequeno conto de Pedro Alves


São 9h28 da manhã. Vasco dorme entusiasmado com o sonho que o acompanha desde o instante em que adormeceu. Ele conheceu, durante o seu sono, uma bela e ninfomaníaca modelo brasileira. Sheila tem 19 anos, é loira, tem seios milagrosamente grandes e um enorme sonho de se tornar modelo profissional. Vasco está animado com a ideia de passar a noite de braços dados com um sonho erótico mas, subconscientemente, pensa na sua Luísa, companheira de 8 anos de casamento - que dorme a seu lado sem imaginar o devaneio em que está Vasco (tendo Sheila a dizer-lhe as coisas mais sórdidas ao ouvido).

Ele quer, quer muito, sonhar com a modelo brasileira a fazer-lhe coisas que Luísa sempre se recusou a fazer mas tem medo, mesmo que tudo não passe de uma boa noite de sono, de se sentir culpado pelo desejo quase repugnante de ter Sheila nos seus braços e de lhe tocar como um dia já tocara na sua mulher, antes das dores de cabeça rotineiras de Luísa. Mas Sheila insiste, diz que é só um sonho e que depois disto nunca mais se voltarão a ver.

Vasco, por fim, cede – mas só depois de Sheila lhe propor uma sessão a três com a irmã Bia.

Já estão num quarto de hotel e a única memória que Vasco tem da sua mulher é um longo e carinhoso ressonar com que esta o presenteia ao seu lado, na cama de ambos.

Bia faz as honras e tira a parte de cima do bikini já por si muito reduzido. Sheila vai-se despindo enquanto a irmã, um ano mais nova e com aquilo que parece ser uma tatuagem a dizer Claudiomiro, despe Vasco por completo. Estão ali os três, nus e com um desejo enorme de tornar os desejos mais pecaminosos de Vasco numa “realidade” que o vai fazer corar de vergonha ao pé de Luísa, quando ambos acordarem. Sheila e Bia avançam, um beijo aqui, um beijo ali, o clima aquece, estão os três entusiasmados com a ideia de o estarem a fazer às escondidas, sem a hipótese de ninguém vir a saber o que naquele quarto de hotel se passou. Sheila está por cima, Bia está por baixo, existem algemas à mistura e até uma taça de morangos com chantilly, e é no meio de tudo isto que…

Luísa – Amor, acorda, telefone para ti!

O que falta dizer desta história é que aquele comunicador da TV Cabo nunca mais foi o mesmo depois da quantidade de insultos que ouviu da boca de Vasco.


hojenaohabolinhos às 19:41 | link do post | comentar | ver comentários (1)

"ESTOU AQUI, NÃO SEI BEM PORQUÊ, MAS TIVE VONTADE DE VIR"
Novembro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Artigos recentes

Mudámos de morada

Dedicada a NCSantos

Recomeçar a Sonhar

Yes we can

...

today's moment of zen

...

Uma (a minha) perspectiva...

A Ogiva, por João Gante

Sonho traído

Arquivo

Novembro 2008

Outubro 2008

Arquivado em

frases que ficam a martelar na cabecita

leituras

pensamentos

pessoas

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds